Escrevo em letras miúdas,
Bem apertadas,
Porque o guardanapo é pequeno,
E a inspiração nem tanto.
Há de haver um equilíbrio
entre o que o poeta escreve
e a dimensão do mundo.
Hoje entendo a relevância da função social da metáfora no senso poético.
sábado, 7 de novembro de 2009
Metacrítica
Aludo-me como referência biográfica.
De quem mais posso dizer
Com alguma segurança
Sobre o sentir do viver?
Conhecer-se. Ei-la, a questão.
E no-la parece simples...
Decerto porque estamos acostumados,
Severamente acostumados,
A ver o próprio rosto
Enxergando os defeitos
Como nódoas do espelho.
Custa-me bramir em silêncio.
A disfarçar olhares.
Conter palavras,
Omitindo versos.
Aludo-me como referência biográfica.
Como não falar de mim mesmo?
Pela experiência
Sói acumular erros
Desmembrar palavras
Absurdar coisas simples.
Optar.
Quais as opções,
Senão viver contemplativo,
frente ao espelho
Ou viver, simplesmente viver,
Viver como vivem os animais,
Que jamais se enxergariam
frente ao espelho?
De quem mais posso dizer
Com alguma segurança
Sobre o sentir do viver?
Conhecer-se. Ei-la, a questão.
E no-la parece simples...
Decerto porque estamos acostumados,
Severamente acostumados,
A ver o próprio rosto
Enxergando os defeitos
Como nódoas do espelho.
Custa-me bramir em silêncio.
A disfarçar olhares.
Conter palavras,
Omitindo versos.
Aludo-me como referência biográfica.
Como não falar de mim mesmo?
Pela experiência
Sói acumular erros
Desmembrar palavras
Absurdar coisas simples.
Optar.
Quais as opções,
Senão viver contemplativo,
frente ao espelho
Ou viver, simplesmente viver,
Viver como vivem os animais,
Que jamais se enxergariam
frente ao espelho?
Hoje
Haicai I – sem movimentos
Quero tantos dias vagos
Quanto eu possa permanecer neste estado:
- vegetal.
Haicai II – iluminado
A vida me incomoda nos dias de sol;
Preferiria jamais abrir os olhos
Nos cerúleos amanheceres do vasto mundo.
Haicai III – desiludido
Fumaça sobe cinza
Vida escorre passageira
Eu homem vive: vê-se-mo.
Haicai IV – som
Lauto lábaro lasso
Aflige e se entrega
Sonante: soa.
Haicai V – silêncio
Lustral vazio
Calha à solitude
Limpa-se a alma.
Quero tantos dias vagos
Quanto eu possa permanecer neste estado:
- vegetal.
Haicai II – iluminado
A vida me incomoda nos dias de sol;
Preferiria jamais abrir os olhos
Nos cerúleos amanheceres do vasto mundo.
Haicai III – desiludido
Fumaça sobe cinza
Vida escorre passageira
Eu homem vive: vê-se-mo.
Haicai IV – som
Lauto lábaro lasso
Aflige e se entrega
Sonante: soa.
Haicai V – silêncio
Lustral vazio
Calha à solitude
Limpa-se a alma.
Galhos
Avoila um galho seco
E nada de folhas que dele caiam.
Só o galho
E eu a olhar,
A galhardia do galho e o vento.
Tem demais em comum
Coisas da natureza
E coisas do homem.
Da natureza,
Em épocas certas folhas nascem
Flores desabrocham
Rios enchem
Sob a claridade do céu azul.
Do homem,
Há tempo de risos
Espairados pela gratuita alegria
Como acontecem lágrimas
Obscurecidas pelo que é do homem,
Sentimento.
Fluem-se natureza e homem.
Vão-se juntos,
Tristonhos e alegrados,
Unidos pela vida.
E nada de folhas que dele caiam.
Só o galho
E eu a olhar,
A galhardia do galho e o vento.
Tem demais em comum
Coisas da natureza
E coisas do homem.
Da natureza,
Em épocas certas folhas nascem
Flores desabrocham
Rios enchem
Sob a claridade do céu azul.
Do homem,
Há tempo de risos
Espairados pela gratuita alegria
Como acontecem lágrimas
Obscurecidas pelo que é do homem,
Sentimento.
Fluem-se natureza e homem.
Vão-se juntos,
Tristonhos e alegrados,
Unidos pela vida.
Humor
Ninguém ouvirá meus pessimismos;
Tudo que tenho de ruim em pensamento,
Como pensamento meu padecerá, sujeito à
Toda alternância que a variação do meu
Temperamento pode proporcionar.
Tudo que tenho de ruim em pensamento,
Como pensamento meu padecerá, sujeito à
Toda alternância que a variação do meu
Temperamento pode proporcionar.
Garrafa vazia
O homem beija o cálice já vazio,
Na esperança de encontrar um pouco mais
Do seu lenitivo néctar;
Transido, mal consegue afastar os lábios
Das bordas da taça esgotada; a ilusão
De haver mais do que sorver,
Impele sua vontade
À expectativa de um desfrute
Ausente.
Na esperança de encontrar um pouco mais
Do seu lenitivo néctar;
Transido, mal consegue afastar os lábios
Das bordas da taça esgotada; a ilusão
De haver mais do que sorver,
Impele sua vontade
À expectativa de um desfrute
Ausente.
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